O que é realmente uma alimentação saudável?
- 2 de ago. de 2017
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Muito do que se fala hoje é focado em nutrientes, fitoquímicos e ômega-3 para os alimentos bons; açúcar, glúten e lactose para os ruins. Não podemos esquecer dos alimentos milagrosos que surgem para alimentar a indústria do "saudável"; e, mais recentemente, a exclusão de grupos alimentares chegou ao não comer nada de fato, com as práticas do jejum.
Você se sente perdido no momento de fazer suas escolhas alimentares?
Não se espera outra coisa em meio ao bombardeio de informações que acontece hoje, diferenciando alimentos em bons e ruins apenas pela sua composição de nutrientes, retirando esse nutriente do contexto do alimento (a ciência ainda não conhece a composição completa de todos os alimentos e o nutriente em combinação com os outros componentes do alimento pode funcionar de uma maneira completamente diferente), o alimento do contexto da dieta, e a dieta do contexto do estilo de vida.
Considerando que, atualmente, o que têm dominado a alimentação da população é a indústria, sugere-se que, o fato mais importante em relação a qualquer alimento não seja os nutrientes que ele contém, mas sim, seu grau de processamento pela indústria, pois quanto mais processado o alimento for até que seja totalmente produzido pela indústria, menor será sua qualidade nutricional.
Isso porque a indústria não é capaz de replicar fielmente um alimento da natureza, pois a ciência ainda não conhece todos os nutrientes e a composição completa de todos os alimentos, e ainda pior, ela conquista seus consumidores pelo sabor, portanto usa e abusa de gorduras, sal e açúcar para tornar esses alimentos o mais palatável possível.
Como ter uma alimentação saudável, então?
O Guia Alimentar da População Brasileira reforça a relação com o pertencimento social das pessoas, com a sensação de autonomia, com o prazer propiciado pela alimentação e com o estado de bem estar.
Sempre pensando que a alimentação é mais do que a ingestão de nutrientes, é a ingestão de alimentos e suas combinações em refeições saborosas, de acordo com a cultura do individuo e do seu meio meio social, e harmônicas em quantidade e qualidade.
De acordo com a importância do grau de processamento dos alimentos hoje, podemos dividi-los em:
Alimentos In natura: são obtidos diretamente de plantas ou de animais e não sofrem qualquer alteração após deixar a natureza. Por exemplo frutas, legumes, verduras, raízes, tubérculos e ovos. Alimentos minimamente processados: correspondem a alimentos in natura que foram submetidos a processos de limpeza, remoção de partes indesejáveis, fracionamento, moagem, secagem, fermentação, pasteurização, refrigeração, congelamento e processos similares que não envolvam agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. Por exemplo, grãos secos, farinhas, arroz, feijão, leite pasteurizado e carne resfriada.
Alimentos in natura ou minimamente processados devem ser a base da nossa alimentação, pelos motivos já discutidos acima. São alimentos oriundos da natureza, cuja composição nutricional tende a ser mais equilibrada e de maior qualidade, são alimentos que possuem a maior e melhor contribuição de vitaminas e minerais, com quantidade calórica adequada.
Alimentos processados: São fabricados com a adição de sal ou açúcar a alimentos in natura ou minimamente processado para torna-los duráveis e mais agradáveis ao paladar, alterando de modo desfavorável a composição nutricional dos alimentos dos quais derivam e por esse motivo devem ter uma participação mais moderada na nossa alimentação.
Por exemplo, Conservas de legumes, atum e sardinha enlatados, frutas em calda ou cristalizadas, queijos e pães caseiros ou de padaria.
Óleos, gorduras, sal e açúcar: São produtos extraídos de alimentos in natura utilizados para criar preparações culinárias. Por exemplo, Óleos (soja, milho, girassol, ou oliva), manteiga, banha, açúcar (branco, demerara ou mascavo), sal (refinado ou grosso). Seu uso é fundamenta para o preparo de alimentos, mas quantidades pequenas e adequadas são suficientes.
Alimentos ultraprocessados: São formulações industriais nutricionalmente desbalanceadas, cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento e vários ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos e gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial. Por exemplo, industrializados em geral, salsicha, Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, alguns tipos de iogurtes, entre diversos outros.
Para saber que um alimento é ultraprocessado, olhar em sua lista de ingredientes: haverá cinco ou mais ingredientes e/ou Ingredientes com nomes pouco familiares e não usados em preparações culinárias caseiras.
Devemos evitar seu consumo pois, como já comentado, são produtos com composição nutricional desbalanceada, que favorecem o consumo excessivo de calorias e possuem baixa qualidade de quantidade de vitaminas e minerais. Esse conjunto favorece o aumento de doenças crônicas, obesidade e deficiências nutricionais, além das consequências já conhecidas à exposição crônica de aditivos industriais.
Portanto siga a regra de ouro: Prefira sempre alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias do que alimentos ultraprocessados.
Em torno da alimentação saudável ainda podemos destacar diversos aspectos, que serão comentados nos seguintes posts.








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